Público x Privado, a dificuldade que os políticos têm para entender.
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“A corrupção se combate com a honestidade, do contrário, não passa de mera hipocrisia”.Será que a dificuldade dos políticos para diferenciar o que é público do que é privado é justificável? Bom, na tentativa de responder essa pergunta façamos agora uma conceituação dos dois. O Público, segundo o dicionário: relativo ou pertencente ao povo, que é de todos, comum, que serve para todos. Já o Privado, o que não é público, particular, individual, íntimo. Diante dessas definições, constatamos que os políticos não lêem o dicionário, pois, os escândalos relativos ao desvio do dinheiro público são cada vez mais freqüentes e isso nos leva a questão formulada inicialmente, será justificável essa confusão entre o público e o privado?
Com já vimos, se levarmos em consideração as definições no dicionário, não se justifica, mas, como quase todos têm o benefício da dúvida, vamos estendê-las aos políticos e procurar motivos que justifiquem esse comportamento, já que a definição não parece ser o problema. Então quem seria o culpado por esse desvio? O sistema político? O eleitor? A desonestidade do próprio político?
Analisando a questão sob todos esses prismas, inicialmente a questão do sistema político, uma das fontes primárias de corrupção é o sistema das emendas parlamentares individuais. Cada parlamentar federal (deputado ou senador) pode apresentar emendas ao Orçamento da União propondo gastos de até R$ 5 milhões. Esse dinheiro pode ter aplicações variadas, então uma empresa X pretende iniciar uma obra Y e entra em contato com seu “amigo” parlamentar e pede para ele dar uma “forçinha” na liberação dos valores em troca do famoso “agrado”, nesse ínterim o parlamentar procura seus amigos no poder executivo para agilizar o processo de liberação das verbas envolvendo esses funcionários públicos no esquema, e ao conseguir a liberação geralmente as obras são superfaturadas o que ocasionam um prejuízo ainda maior ao erário público.
O eleitor, esse é o indivíduo responsável pelo entrada do político na vida pública como representante do povo ou do Estado Federado, através do sufrágio universal, mais conhecido como voto. A parcela de culpa do eleitor nos casos de corrupção que estouram com freqüência alarmante deve ser considerada, uma vez que é obrigação do cidadão escolher os seus representantes de acordo com as propostas, o nível de comprometimento com os seus representados, o passado ilibado, enfim, deve-se filtrar entre os futuros parlamentares aquele mais adequado ao cargo de tamanha importância. Mas como fazer isso sem um povo provido de um mínimo de educação para analisar suas opções de escolha sob critérios objetivos? Isso é outra questão que influi nas escolhas dos eleitores que, por sua fragilidade intelectual são facilmente ludibriados pelos maus políticos, sendo importante nesse caso a participação dos cidadãos mais esclarecidos e das entidades de classe comprometidas com a busca pela moralidade política, auxiliando os eleitores menos favorecidos quando do momento da escolha de seus governantes.
A desonestidade do próprio político, com certeza é o fator principal da corrupção, visto que, um indivíduo que se propõe a enveredar pela vida pública sujeitando-se aos ditames da Lei, deve estar consciente das obrigações inerentes ao cargo que almeja, por isso, os princípios morais e éticos devem estar bem explícitos e enraizados neste indivíduo, pois do contrário, a possibilidade de envolvimento em escândalos de corrupção é enorme.
Isto posto, vê-se que a resposta para a pergunta inicial seria, não, não é justificável, no entanto, vemos também que as causas do problema são as mais variadas, é uma verdadeira culpa compartilhada, desde nós mesmos como eleitores até os próprios políticos que ao chegarem onde almejam esquecem dos seus princípios e tratam a coisa pública como se sua fosse. Assim, só recomendo uma coisa a todos: nas eleições que se avizinham e nas que virão, escolham com cuidado e critério os seus representantes, e após as eleições fiscalizem a atuação deles pressionando-os a cumprir as metas estabelecidas na campanha, essa é a parte que nos cabe, e ainda cobre deles uma reforma política que vise moralizar a relação da classe política com a coisa pública.
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