Obama, o novo superman? Ou seria o novo Lula?
-
O mundo comemora, pelo menos parte dele, a eleição e posse do primeiro presidente negro na história dos Estados Unidos da América. Um candidato praticamente desconhecido do grande público, conseguiu derrotar nomes como o de Hillary Clinton e John Mccain, que já detinham uma bagagem política, além de maior notoriedade no cenário político americano. O presidente eleito Barrack Obama, assume a presidência americana com um grande respaldo da população, apoiado não só na capacidade que a campanha dele teve de torná-lo o maior “popstar” da atualidade, como também na crise econômica mundial iniciada, em tese, nos Estados Unidos e que está devastando os mercados financeiros em todo o mundo, trazendo o assombro do desemprego e da resseção para a maior economia do planeta.
Como se isso não bastasse, o seu antecessor, George W. Bush, foi se não o pior, um dos piores presidentes da história americana, deixando um legado terrível para o sucessor: duas guerras - Afeganistão e Iraque - incontroláveis, intermináveis; recessão econômica que está perto de gerar uma redução drástica no poder econômico da maior potência do mundo moderno; a famosa luta contra o terrorismo, que tornou os EUA inimigo número 1 de todas as nações extremistas, e porque não, enlouquecidas do planeta; o Osama Bin Laden(cadê ele?!), considerado o maior inimigo do estilo de vida americano ou “american way of life”(vida, liberdade e a procura da felicidade) que até hoje está foragido das autoridades mundiais.
Obama em sua campanha mostrou-se um líder carismático, com belos discursos, ênfase nas questões mais importantes para o eleitorado americano, e surpreendeu ao demonstrar um plano de governo que seria a antítese de tudo aquilo que fora aplicado por Bush, a começar por suas promessas de campanha: a) fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba - prisão que abriga centenas de presos de guerra e suspeito de terrorismo, amplamente contestada pela opinião pública internacional(promessa cumprida); b) retirada das tropas militares do Iraque e do Afeganistão - duas guerras que começaram pelos motivos errados, continuam sendo conduzidas da maneira errada, destruíram qualquer resquício de uma sociedade legalmente constituída, e parece ter trazido apenas uma consequência boa, a retirada do poder de grupos religiosos intolerantes e no caso do Iraque a queda do famoso ditador sanguinário Saddam Hussein; c) liberação do financiamento público para as pesquisas com células-tronco - grande esperança de cura para diversas doenças, as pesquisas com células-tronco ficaram inviabilizadas em razão do prisma religioso adotado pelo agora ex-presidente Bush; d) além desses, outros pontos controvertidos como a questão dos imigrantes ilegais, que hoje somam mais de 12 milhões de pessoas, o desemprego que aumenta gradativamente, e a saúde que hoje passa por um colapso, vez que nos EUA não existe um Sistema Único de Saúde gratuito e acessível a população, portanto aquele que não tem um plano de sáude privado não terá o atendimento devido.
Obama x Lula
Guardadas as devidas proporções, a eleição americana e a maneira com a qual ela foi desenhada, lembra muito a campanha que elegeu o presidente Lula no ano de 2002. Naquela época o país, recém saído de uma crise eonômica, necessitava de uma mudança radical que conduzisse a nação a um nível mais alto, para que o Brasil deixasse de ser o país do futuro e pudesse de fato se tornar uma nação modernizada, dinâmica, fortalecida. Era um cenário desafiador para o próximo presidente, assim como para Obama, pois o risco eleitoral era marcado pela dúvida sobre como seria a condução do governo com Lula eleito, a crise na Argentina que trouxe reflexos negativos ao Brasil, o terrorismo nos EUA que abalara o mundo de maneira inimaginável, o risco de inflação e os juros altos, a excessiva carga tributária, o ínfimo crescimento da economia, etc.
Lula mostrou-se um lider populista, que conseguiu passar aos eleitores a idéia de mudança almejada por toda a população do país, e com isso foi eleito de forma incontestável. Passados quase 7 anos, uma reeleição e muitas bolsas depois, o governo Lula teve seus méritos na condução pragmática da política econômica que praticamente assegurou anos sem o fantasma da inflação, porém as expectativas geradas na eleição de 2002, nem de longe foram alcançadas, pois entre o discurso e a realidade existem os conchavos, os acordos, a burocracia, enfim, tudo que um Estado pesado e obsoleto possui para diminuir e/ou anular o ímpeto daqueles que ousam impor qualquer mudança drástica que venha a contrariar os interesses da máquina dominante. Não sei se era a intenção de Lula de fato mudar algo, para pior ou para melhor, não sei ele sabia ou não sabia, só sei que os escândalos de corrupção emergiram, os velhos problemas do Brasil persistem em não nos abandonar e o saldo do governo acredito que ainda seja negativo.
Obama tem todas as ferramentas para ser um líder e não só uma pomessa, para tornar os Estados Unidos uma nação mais comprometida com as questões internacionais, mais ágil e dinâmica do que nunca, menos bélica e mais diplomática. Pode até parecer utópico acreditar que isso seja possível, afinal não depende só dele, há questões econômicas e políticas que influenciam diretamente em todas as decisões que possam ocasionar reais mudanças, mas depois do que vimos acontecer nessas eleições, onde um negro, nascido no Havaí, com sobrenome Hussein, descendência africana, pouco mais de 10 anos no cenário político e desconhecido do eleitorado, foi eleito para ocupar o cargo de homem mais poderoso do mundo, podemos esperar qualquer coisa.
Yes, we can.
*Gostou desse artigo? Sim?! Então assine o nosso Feed RSS ou assine o Recebimento por Email.












[Comentando...]